terça-feira, 30 de agosto de 2011

TÉCNICAS DE MOBILIZAÇÃO ARTICULAR E DE TRAÇÃO EM REABILITAÇÃO





PARA QUE SERVEM AS TÉCNICAS DE MOBILIZAÇÃO ARTICULAR E TRAÇÃO EM REABILITAÇÃO?

Com o surgimento de uma lesão em uma das articulações, quase sempre ocorre perda de movimento associada. Atribuídas a diversos fatores, como por exemplo, traumas, patologias reumáticas, estiramento excessivo, etc. Se a articulação não for tratada apresentará uma hipomobilidade e acabará apresentando sinais de degeneração.

A mobilização articular e a tração são técnicas de terapia manual que incluem os movimentos passivos e lentos das superfícies articulares. São utilizados para recuperar a amplitude de movimento ativo, para restaurar os movimentos passivos e lentos das superfícies articulares, para reposicionar ou realinhar a articulação, para recuperar a distribuição normal de forças e tensões ao redor da articulação ou para reduzir a dor. A mobilização e a tração podem ser utilizadas para alongar tecidos e romper aderências, mas caso sejam utilizadas inadequadamente podem também danificar os tecidos e causar entorses na articulação.

É de suma importância que o fisioterapeuta possua capacidade de avaliação e habilidade para identificação das várias estruturas que podem causar diminuição na amplitude de movimento e dor.


RELAÇÃO ENTRE  MOVIMENTOS FISIOLÓGICOS E ACESSÓRIOS


MOVIMENTO FISIOLÓGICO -  é aquele que resulta das contrações musculares ativas, concêntricas e excêntricas, que movem os ossos ou articulações. Denominado de movimento osteocinemático. Movimento voluntário.

MOVIMENTO ACESSÓRIO – acontecem quando a superfície de uma articulação se move em relação à outra. Acompanha o movimento fisiológico.

Ambos movimentos ocorrem simultaneamente, embora o movimento acessório normal deve ocorrer para que a amplitude total do movimento fisiológico ocorra, ou seja, um músculo não pode ser totalmente reabilitado se as articulações não estiverem livres e vice-versa.

ARTROCINEMÁTICA ARTICULAR

Conjunto dos movimentos acessórios (girar, rolar e deslizar). O movimento das superfícies articulares dentro da articulação é uma combinação variável de rolamento, deslizamento e giro.


GIRO – Rotação de um segmento sobre um eixo mecânico estacionário e pode ocorrer tanto no sentido horário como anti-horário. Um exemplo de giro é o movimento da cabeça radial na articulação umerorradial, como ocorre na pronação e na supinação do antebraço.

ROLAMENTO -  Ocorre quando uma série de pontos em uma superfície articular entra em contato com outra série de pontos em outra superfície articular. Côndilos femorais arredondados rolando sobre o platô tibial plano e estático. Sempre ocorre no sentido do movimento.

DESLIZAMENTO/ TRANSLAÇÃO – Ocorre quando um ponto específico em uma determinada superfície articular entra em contado com uma  série de pontos em outra superfície, ou seja, do ponto de vista anatômico o deslizamento ou translação ocorreria durante o teste de gaveta anterior no joelho, quando o platô tibial plano desliza anteriormente em relação aos côndilos femorais arredondados e fixos.
O deslizamento ocorre simultaneamente com o rolamento, porém não necessariamente na mesma proporção e nem no mesmo sentido, a direção na qual o deslizamento ocorre depende se a superfície que está se movendo é côncava ou convexa. Ex.No joelho, os côndilos femorais seriam considerados a superfície convexa e o platô a côncava.

REGRA CÔNCAVO-CONVEXO

É a relação mecânica conhecida como a base para a determinação da direção da força de mobilização.  O sentido do componente de deslizamento do movimento é determinado pelo formato da superfície articular que estiver em movimento.

 

 

POSIÇÕES ARTICULARES

Cada articulação do corpo possui uma posição na qual a cápsula articular e o ligamento estão mais relaxados, possibilitando a quantidade máxima de jogo articular. Essa posição é denominada de posição de repouso.

TÉCNICAS DE MOBILIZAÇÃO ARTICULAR


As técnicas de mobilização articular são utilizadas para melhorar a mobilidade articular ou para diminuir a dor articular por meio da restauração dos movimentos acessórios à articulação, permitindo, assim, a amplitude de movimento total indolor, não-restrita.

OBJETIVOS

Redução da dor; diminuição da proteção muscular; alongamento ou aumento do comprimento do tecido conjuntivo da articulação (especialmente em tecidos capsulares e ligamentares; efeitos reflexogênicos que inibem ou facilitam o tônus muscular ou o reflexo de alongamento e efeitos prorpioceptivos para melhorar a consciência postural e cinética.

EFEITOS DA MANIPULAÇÃO


EFEITOS NEUROFISIOLÓGICOS  -

Estímulo dos mecanoceptores que podem inibir a transmissão de estímulos nociceptivos ao nível da medula espinhal ou tronco cerebral.

EFEITOS MECÂNICOS

Promovem a movimentação do fluído sinovial, que é o veículo transportador de nutrientes para as porções avasculares de cartilagem articular, prevenindo efeitos dolorosos e degenerativos.

TÉCNICA

A técnica é composta por movimentos lentos de pequena amplitude, sendo que a amplitude é a distância em que a articulação é movida passivamente dentro de sua amplitude total. As técnicas de mobilização utilizam  movimentos de deslizamentos de oscilação de pequena amplitude para deslizar uma das superfícies articulares em uma direção apropriada dentro de uma amplitude específica.
A direção apropriada para os deslizamentos de oscilação é determinada pela regra côncavo-convexa.

GRAUS DE MOBILIZAÇÃO

Grau I – (FROUXO). Tração articular de pequena amplitude, onde a cápsula articular não é sobrecarregada. Utilizado quando a dor e o espasmo limitam prematuramente o movimento.

Grau II – (TENSO). Tração ou deslizamento nas superfícies articulares suficientes para tensionar os tecidos ao redor da articulação.Utilizado quando o espasmo limita o movimento, ou quando a dor crescente restringe na metade a ADM.

Grau III – (ALONGANDO). Tração ou deslizamento das superfícies articulares com uma amplitude grande suficiente para fazer alongamento na cápsula articular e estruturas periarticulares vizinhas. Utilizado para alongar as estruturas articulares e assim aumentar a mobilidade intra-articular.

TÉCNICA DE TRAÇÃO ARTICULAR

Técnica que envolve o estiramento de um segmento articulado a fim de produzir a separação de duas superfícies articulares, sendo utilizadas para diminuir a dor e reduzir a hipomobilidade articular.

GRAUS DE TRAÇÃO

TRAÇÃO DE GRAU I (FROUXA) -  Tração que neutraliza a pressão na articulação sem a separação real das superfícies articulares. Produz alívio da dor, reduzindo as forças de compressão das superfícies articulares.

TRAÇÃO DE GRAU II (TENSA OU “RETIRADA DA LASSIDÃO”) – Tração que separa com eficiência as superfícies articulares e retira a lassidão ou elimina o jogo na cápsula articular, sendo utilizado no início do tratamento para determinar a sensibilidade articular.

TRAÇÃO DE GRAU III (ALONGAMENTO) -  Tração que envolve o alongamento real do tecido mole circunvizinho à articulação a fim de aumentar a mobilidade em uma dada articulação hipomóvel.

2 comentários:

  1. O artigo não se apega muito a detalhes, mas pra quem precisa só relembrar o conteúdo ou ter um conhecimento geral, e não pretende à partir disso colocar os conceitos em prática, é muito bom. Parabéns

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  2. Agradeço seu comentário Laís Nascimento, todo e qualquer trabalho, sempre é resultado da colaboração de muitos e nosso intuito é passar informações e facilitar o aprendizado, mas deixando claro que a melhor forma de aprendizado é com teoria e prática repassada por um professor.

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